História

11 de Outubro de 1913. A Gazeta e o Jornal de Piracicaba publicaram a nota: “Será inaugurado hoje, nesta cidade, mais um clube de foot-ball, intitulado 15 de Novembro”. Nascia o time que viraria a paixão dos piracicabanos e que viria a ter a maior torcida do interior do estado de São Paulo. A data oficial foi 15 de novembro de 1913.

A história do esporte em Piracicaba começa em 1903, com a fundação do Club Sportivo Piracicaba, onde os associados realizavam corridas na antiga Raia do Salto e praticavam futebol com material vindo da Inglaterra.

Alguns anos depois, na década de 40, funcionários de uma marcenaria aproveitavam o horário de almoço para se divertirem, jogando futebol com uma bola feita de meia. Eles jogavam no quintal, no mesmo espaço onde as mulheres costumam pendurar a roupa no varal. Só que, muitas vezes, a bola batia no tecido e acabava sujando a roupa outra vez, causando um desconforto com as mulheres.

Com isso, os empregados – que deram à equipe o nome de 12 de Outubro – passaram a realizar as partidas na Rua Regente Feijó. O que antes era um pasto, eles transformaram em um campo. Que se tornaria o primeiro campo do XV de Piracicaba.

Nessa mesma época, havia outro grupo de apaixonados por futebol na cidade: o Esporte Clube Vergueirense, pertencente à família Pousa. Os dois times realizavam partidas entre si. Mas a amizade entre ambos e a paixão pelo esporte falaram mais alto. Da união entre 12 de Outubro e Vergueirense, nascia o Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba.

Representantes dos Guerrini e dos Pousa convidaram, então, o capitão Carlos Wingeter, cirurgião dentista, integrante da Guarda Nacional, para se tornar presidente do clube que acabara de surgir. Wingeter aceitou prontamente. Impondo apenas uma condição: o time deveria ser intitulado XV de Novembro, em homenagem à data da Proclamação da República do Brasil.

O Capitão era filho de Jacó Filipe Wingerter e Madalene Soares de Carvalho. Ele foi casado com Margarida Buller Wingeter Abrahão, e morreu no dia 7 de Janeiro de 1931, aos 62 anos de idade.

Na época, Piracicaba tinha cerca de 40 mil habitantes. A economia local baseava-se na agricultura canavieira para produção de açúcar e aguardente, e do café, o que lhe rendia o apelido de “Pérola Paulista”. O reconhecimento dos piracicabanos ao time de futebol aconteceu de imediato, até mesmo pelo envolvimento de famílias tradicionais na agremiação, o que rendeu ao XV afinidade ímpar pela identificação que a cidade tinha com seus integrantes. 100 anos se passaram e hoje os irmãos Pousa e Guerrini são ovacionados por uma torcida apaixonada pelo clube de sua cidade.

 

Primeiros passos:

Nesse primeiro ano de vida, o alvinegro sofreu duas derrotas. Um, em 16 de outubro de 1913, no campo do Sport Recreio Normalista, situado na chácara Diogo, no bairro dos Alemães. O XV perdeu por 2 x 0.

A segunda aconteceu em 23 de novembro, uma semana após a primeira derrota. O time enfrentou um scratch e perdeu novamente por 2 x 0. O jogo foi realizado no campo da Rua Piracicaba.

Em 18 de outubro de 1914, o XV conquista sua primeira vitória, sobre a Associação Piracicabana de Esportes Atléticos, por 3 a 2, levando assim o título de Campeão da cidade. Pereira foi quem fez os 3 gols da partida. A Associação sempre vencia os adversários, então os torcedores quinzistas festejaram muito a conquista.

No dia 20 de março de 1918 o time se filiou à APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), passando a enfrentar equipes da capital e a tomar parte nos campeonatos do interior.

 

Primeira Diretoria do Esporte Clube de Novembro de Piracicaba

Em 4 de dezembro de 1913 foi publicada na imprensa piracicabana a seguinte relação:

  • Presidente – Capitão Carlos Wingeter
  • Vice-presidente – Tibúrcio de Oliveira
  • 1º Secretário – Erothides de Campos
  • 2º Secretário – Francisco Regato
  • 1º Fiscal – Jerônimo Huf-fenbaecher
  • 2º Fiscal – Luciano Servika
  • Capitão – Francisco Pelegrino (Paco)
  • Vice-Capitão – Francisco Pousa
  • Tesoureiro – Américo Guerrini
  • Procurador – Alberto César de Oliveira

 

Fonte: Livro oficial do XV de Piracicaba e Centro Cultural Martha Watts

Texto: Mariana Neves e Rosemary Bar