Mascote

As várias faces do Nhô Quim

Edson Rontani Júnior, jornalista

Cícero Correa dos Santos, Miécio Caffé, Nino Borges, Almir Bortolassi, Manolo, Messias Mello… Todos eles têm em comum a personificação artística do Nhô Quim, mascote do centenário E. C. XV de Novembro de Piracicaba. O personagem, que completou 65 anos de vida em 2013, acompanha o time desde a vitória da Lei do Acesso em 1948.

É verdade que a imagem mais conhecida do piracicabano é aquela propagada por 48 anos através da pena de Edson Rontani, meu genitor, artista plástico, desenhista e caricaturista falecido em fevereiro de 1997. Mas todos os citados acima também deram sua contribuição ao personagem.

Porém, este tão querido caipira andou por outras bandas ao longo destes mais de 60 anos de vida. Circulou pela “Gazeta Esportiva” e pelo semanário “O Governador”, ambos publicados na capital paulista. A história de criar mascotes surge através dos álbuns de figurinha já em evidência nos anos 1930. Nino Borges inova criando desenhos de jogadores no lugar de fotografias. Isso ocorre no álbum “Balas Futebol”, um ícone do colecionismo publicado de 1938 a 1960. Foi nesta edição que as mascotes dos principais times ilustraram as páginas. Borges foi escolhido pelo fabricante das balas para desenhar os jogadores. Entram em cena as caricaturas que depois personificaram as mascotes como a baleia ou o peixe do Santos, o mosqueteiro do Corinthians ou o papagaio do Palmeiras.

“A Gazeta Esportiva” era o referêncial no jornalismo esportivo, numa época em que a televisão ainda não existia no país. Messias Mello, Nino Borges e Miécio Caffé chegaram a dar formas às mascotes, assim como também ao Nhô Quim, semelhante ao brasileiro que brigava com Getúlio Vargas em outas charges ou igual ao XV de Jaú, também representado, na época por um caipira com cigarro, chapéu palha e calça “pula-brejo”. Era o brasileiro caipira, propagado décadas antes por Monteiro Lobato em Urupês com seu Jéca Tatu, matuto descalço que lutava contra o “amarelão”.

Várias foram as faces de nosso Nhô Quim. Muitas desconhecidas da grande maioria, até porque são raros os estudos históricos sobre isso. E também porque os principais veículos de comunicação que divulgaram estas caricaturas perderam-se com o tempo ou estão disponíveis em locais de acesso restrito como museus, bibliotecas ou centros de estudo. O certo é que o Nhô Quim ainda representa a alma simples do piracicabano. E com muito orgulho !